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S/PDIF


O padrão S/PDIF (Sony/Philips Digital Interface Format) é um formato de interfaceamento de equipamentos de áudio digital, baseado no padrão profissional AES/EBU. O padrão S/PDIF é utilizado para se transferir informações (dados) de áudio digital de um equipamento para outro (ex: de um computador para um gravador DAT).

O formato S/PDIF suporta dois canais (stereo) e pode ser implementado por conexão elétrica ou óptica. Na conexão elétrica são usados plugs do tipo RCA, não-balanceados, e cabos de impedância de 75 ohms (ex: cabos de video de boa qualidade). Na conexão óptica são usados plugs do tipo TosLink (ou miniplug óptico) e cabos de fibra óptica. Em ambos os casos, um mesmo cabo transfere os dois canais do stereo.
"...Único estilo musical presente em todas as partes do planeta. Porta voz de todas as gerações. O som que resiste a todos os modismos e deu tom a movimentos ideológicos. As maiores vendagens de discos e cds. Os artistas mais conhecidos no mundo... A imagem que todo mundo quer ter... isso é o rock'n'roll... Rock é atitude... Rock é estilo... Rock é energia... Rock é necessidade básica... Quem nunca ouviu, cantarolou ou apenas pensou numa letra de rock que atire a primeira pedra... e a deixe rolar..."             sidneyeditor 1998

Gravando vozes

Veremos todos os passos necessários para garantir um som o mais fiel possível às vozes dos cantores e vocalistas.

Vozes.
Definir quem vai cantar e como é a primeira tarefa de uma produção. Todo o arranjo e a sonoridade obtida com os recursos que estamos estudando dependem disto. Os timbres dos instrumentos utilizados têm que “vestir” bem o timbre da voz do cantor. A tonalidade escolhida deve ser a mais confortável e interessante, para que todas as notas emitidas o sejam sem esforço. E por aí vai. Jamais entre nessa de gravar a música num tom só porque é o “tom original”, aquele em que ela foi composta ou foi gravada pela primeira vez. O tom de uma música é o tom daquele solista, e neste artigo o solista é o cantor.

Escolha o tom da seguinte forma: anote a nota mais grave e a mais aguda que o cantor emite sem muito esforço. Anote também a nota mais grave e a mais aguda da melodia da canção. Transponha o tom da melodia até que ela se “encaixe” na região confortável da voz. Transponha igualmente o tom da harmonia, de preferência cifrando novamente os acordes da partitura. Adapte o arranjo ao novo tom. Por mais diferente que possa ficar o arranjo em relação à sua idéia original, sempre é melhor que ouvir um cantor forçando sua voz nos agudos ou perdendo corpo nos graves. Estes procedimentos, aliás, também valem para qualquer solista de música instrumental.

Outras vozes, como o backing vocal, devem ser bem escolhidas, para combinar com o timbre do cantor principal. Vamos gravar uma a uma para termos recursos de nivelamento durante a mixagem. Ou grava-las juntas, mixando os sons de acordo com as distâncias dos microfones para os vocalistas. Podemos dobrar vozes, gravando em novas pistas o canto principal ou os vocais, para dar mais corpo. Nesse caso, a emissão deve ser precisa e de acordo com o ritmo da melodia principal, conforme a execução do cantor. Este, aliás, pode fazer o papel de vários vocalistas, mas o timbre fica mais unitário, o que pode ser bom em certos casos e mau em outros.

Espaço.
O ideal é o cantor ficar isolado num ambiente só para ele e o microfone. Além de evitar a captação desnecessária de ruídos, isto permite que o produtor monitore a gravação com mais conforto através das caixas de som. Se for possível, prefira o cômodo de melhor acústica da casa, que é aquele onde a voz soa mais natural. Neste cômodo, que acaba de virar uma cabine de voz, escolha o ponto onde ela soa melhor. Tente abafar um pouco as reflexões das paredes cobrindo-as com algum material absorvente acústico. Tecidos, cortinas, carpetes e espumas são as soluções mais comuns. Lã de vidro e Sonex, as mais clássicas.

Se você tem apenas um cômodo disponível em sua casa, desligue a televisão, ponha a família e o papagaio pra dormir e corte o som das caixas. Todos os envolvidos com o trabalho terão que usar fones de ouvido, que devem ter boa vedação.

Microfones e captação.
Nos lugares mais barulhentos, usamos microfones dinâmicos, sensíveis o suficiente para bem captar o que está a poucos centímetros de distância. Os mais comuns são os Shure SM58 e SM57. Em um quarto silencioso, podemos captar vozes com microfones a condensador, mais sensíveis, como os modelos AKG C414 e Neumann U-87. Estes precisam ser alimentados pelo phantom power da mesa de som, uma corrente elétrica de 48 volts que alimenta o microfone através do próprio cabo de áudio ao pressionarmos o botão correspondente na mesa.

O cantor grava sempre em pé, com o microfone no pedestal, nunca na mão. Este deve ter uma suspensão elástica, como a brasileira Sabra Shock Mount, que evita transmitir trepidações do chão para o microfone pelo pedestal. O microfone a condensador fica a algumas dezenas de centímetros da boca do cantor, com um filtro anti-pop. O dinâmico fica a poucos centímetros, mas não totalmente de frente para o cantor. Incline-o para um lado, sempre apontando para a boca. Assim, evitamos que as consoantes bilabiais “p” e “b” explodam na frente da membrana e inutilizem a gravação.

Conexões. Plugue o microfone a um canal da mesa, de preferência com conectores XLR (Canon). Da mesa, mande uma saída direta do canal ou de um subgrupo para uma entrada da placa de som. Para monitorar, ligue uma saída da placa a outro canal da mesa. No Cakewalk, indique a entrada e a saída da placa que estão sendo utilizadas para gravar nesta pista.

Provavelmente, o cantor vai precisar ouvir alguma reverberação no fone. Não devemos gravar este reverb, para poder regulá-lo direito na mixagem. O reverb fantasma é aquele que é monitorado mas não gravado. Usando um reverberador conectado à mandada e ao retorno auxiliar de sua mesa, mantenha este retorno endereçado somente ao máster. Assim, o efeito não sai pelo cabo que envia o som da voz para o PC. Ajuste a intensidade da reverberação pelo controle auxiliar do canal de entrada ou de monitoração, tanto faz. Embora o efeito seja controlado no próprio canal da voz, seu som não sai dali. Ele entra pelo retorno auxiliar e sai pelo máster estéreo somente para os monitores e fones.

Passando o som.
Peça ao cantor que entoe o trecho mais forte da música. Ponha os faders do canal e do master da mesa na marca de zero dB (“0” ou “U”). Vire o botão de ganho do canal até que o LED chegue próximo ao limite. Ajustado o nível de entrada, abra a mesa virtual do Cakewalk em . Localize o canal virtual que corresponde à pista da voz a gravar. Acione (Arm) neste canal e observe o LED se mover na tela, ajustando o volume de gravação próximo ao limite, mas com alguma folga, para o caso do cantor se empolgar. Use para isto o fader do submaster da mesa ou, na ausência deste, o fader virtual do canal do programa.

Ponha a música para tocar e peça que o cantor o oriente sobre quem está muito alto e quem está muito baixo, de forma a deixa-lo ouvir a si e aos outros sons confortavelmente. Faça os ajustes necessários na mesa de som. Se, durante a gravação, o nível estiver mal ajustado, interrompa e reinicie todo o processo. Durante a gravação, não mexemos em nenhum controle, além de e . Repita os procedimentos ao gravar cada voz.

Gravando.
Após tocar algumas vezes a música para o cantor ensaiar e ajustarmos os níveis de entrada, gravação e monitoração, podemos gravar. Use as teclas para gravar e para parar. Use também a para tocar e para voltar ao início.

Se algumas frases não ficarem ideais, podemos fazer emendas, desde que o cantor consiga manter o clima da outra tomada, a mesma distância do microfone etc. Mantendo a pista pronta para gravar, tocamos a música ou um trecho bom e pedimos ao vocalista que cante da mesma maneira que antes. Com a música sendo executada, acionamos teclando logo antes da(s) frase(s) a emendar. Logo após o trecho emendado, teclamos novamente para voltar ao modo . Paramos a música e tocamos novamente o trecho para conferir se ficou perfeito. Essas emendas são perfeitamente viáveis, desde que acionemos a opção da janela do menu , para apagar sempre o que estava gravado por baixo da emenda.

Grave cada voz numa pista, sempre que possível. Assim, você terá muito maior liberdade durante a mixagem.

Restaurações em áudio

Duas décadas depois do advento do CD, os discos de vinil seguem à frente de uma legião de admiradores e colecionadores. No entanto, como, aliás, não poderia deixar de ser, eles mesmos também vêm preferindo ouvir os seus vinis em CD! Claro, afinal todos sabemos que um CD sempre toca o mesmo som, ao contrário da velha bolachona que chia um pouquinho mais a cada audição. É mais que um direito do consumidor, é até um dever preservar suas cópias dos fonogramas de seus ídolos, transferindo-as para um suporte mais durável, como o CD. Vejamos aqui como fazer isso.
Equipamento. Para passarmos o áudio do vinil para o CD, vamos precisar de um bom toca-discos com uma agulha boa e nova, um receiver doméstico (também pode ser um mixer ou um amplificador integrado), alguns cabos e um computador com gravador de CD, placa de som e programas para edição e masterização de áudio. Depois que conseguirmos o mais difícil, que é reunir toda essa parafernália, seria um desperdício só copiar, sem tentar recuperar a qualidade sonora de nossas gravações. Os programas de edição de áudio, como o Sony Sound Forge ou o Steinberg WaveLab possuem recursos próprios e diversos plug-ins que os tornam poderosíssimas plataformas de restauração.

Não é muito difícil encontrar lojas que comercializam toca-discos, especialmente nos grandes centros. Escolha um de ótima qualidade de reprodução, estável, bem regulado. Use agulha nova e de boa marca. Ajuste o contrapeso do braço da agulha segundo o manual, para que o peso da agulha fique exatamente como recomendado.
O computador é um modelo básico (Pentium ou Athlon) mas bem montado, com peças de qualidade e bem compatíveis entre si, para evitar conflitos que possam afetar o áudio ou comprometer a operação dos programas. Leia algumas sugestões para otimizar o desempenho do seu PC no endereço .
O gravador de CD é um desses modelos para computador, bons e baratos. O que vai fazer a diferença em termos de sonoridade, em primeiro lugar, é a placa de som. Os conversores analógicos/digitais (AD) ficam nas entradas das placas e transformam o áudio analógico que chega pelo cabo em som digital, que é a representação numérica dos sons no computador. O que se deve atentar aqui é para o fato de que as placas de multimídia, em geral, não possuem conversores AD de tão boa qualidade quanto as placas de áudio para home studios, como a Echo Mia ou a M-Audio Audiophile, por exemplo. Existem também ótimos modelos de placas portáteis com conectores USB ou firewire dessas e de outras marcas.
Limpeza do disco. Começamos limpando o disco de vinil para remover gordura, poeira e sujeira em geral. Para isso, lavamos o disco. No tanque de lavar roupa, lave o vinil com sabão de coco (pH neutro) em movimentos circulares com a mão cheia de sabão sob a água da torneira. Repita os movimentos circulares até que o disco fique todo ensaboado. Depois, enxágüe bastante sob a água até não sobrar nenhum resíduo. Ponha os vinis para secar no escorredor de pratos (!) e, quando estiverem secos, coloque o primeiro no toca-discos.
Conexões. Não podemos ligar o toca-discos diretamente na placa de som, pois as entradas de áudio da placa e as saídas da pick-up não são da mesma impedância. O ideal é passar o som do vinil por um receiver que tenha entradas “Phono”, que pode ser substituído por um amplificador ou por um mixer para DJs. Conecte as duas saídas de áudio RCA do toca-discos nas duas entradas “Phono” do receiver. Um terceiro fio, sem plugue, também sai do toca-discos. É o fio terra, que precisa ser contatado ao chassi do amplificador. Simples: se o receiver tiver um botão (na verdade, um parafuso) chamado “Ground” (terra), afrouxe-o e enrole nele o tal fio desencapado, voltando a apertá-lo em seguida. Se não existir o parafuso Ground, afrouxe um dos parafusos do gabinete do receiver e fixe nele o fio terra, voltando a apertá-lo. As saídas Line out (esquerda e direita) do receiver serão conectadas às entradas da placa de som.
Gravação. O programa mais usado é o Sound Forge. Basta clicar em Record, escolher um modo de gravação e começar a passar o disco para o computador. Podemos gravar um lado inteiro do disco num único arquivo de áudio, que será salvo no formato WAV. Depois, cortamos os arquivos, música por música. A resolução dos arquivos será sempre de 16 bits, 44.1 kHz e estéreo.
Processamento. Existem dois tipos de ruídos inconvenientes nos arquivos criados a partir de discos de vinil. Ruídos contínuos (chiado, ruído do motor do toca-discos) e intermitentes (estalos causados por sujeira, eletricidade estática e arranhões) serão reduzidos por programas de uso específico.
Após gravarmos o arquivo, selecionamos um pequeno trecho de silêncio antes do início ou após o fim da música. Na verdade, o trecho contém o ruído contínuo que está também por trás de toda a música. Abrimos no Sound Forge o plug-in Noise Reduction, do mesmo fabricante, na seção , clicamos em e em . No botão regulamos o grau da redução do ruído, para não comprometer a qualidade do áudio. Leia mais detalhes sobre o uso do Noise Reduction em .
O próximo alvo da nossa faxina sônica são os cliques e estalos de modo geral. Aqui, temos várias técnicas, novamente resolvidas pelo Sound Forge & plug-ins ou por seus concorrentes. Para tirar sons de arranhões e estalidos diversos, temos recursos automáticos, semi-automáticos e até um lápis para você redesenhar as ondas sonoras de cada música até o ano que vem. Bem, dependendo do material, do valor estimativo ou de quanto você vai ganhar, pode até valer a pena.
O Sound Forge, no menu Tools, submenu Repair, tem os comandos e . Os cliques curtos vão se beneficiar do Interpolate, enquanto os scratches ou arranhões mais longos são removidos com o Replace. Selecione um mínimo trecho em volta de um clique e aplique Interpolate. Pronto, sumiu o clique. Selecione agora a área destruída por um arranhão e o recurso Replace substitui o trecho arranhado pelo material vizinho, fazendo sumir o arranhão. Se não houver tempo para corrigir os estalos e cliques um por um, recorra ao plug-in Click and Crackle Removal, da mesma marca, e acabe com a grande maioria dos estalos de uma só vez.
Quando o arquivo sonoro ficar limpinho, podemos normalizar o seu volume e, se for o caso, equalizar as freqüências e comprimir a dinâmica um pouquinho. Muitas vezes, só a compressão já dá bons resultados para dar mais volume às gravações antigas. Sons muito abafados ganham vida com um enhancer como o plug-in DSP/FX Aural Activator.
Corte. Depois da faxina, corte o início e o fim dos arquivos simplesmente selecionando-os e pressionando Delete, mas não deixe de criar um micro fade in no início e um fade out também minúsculo no final de cada arquivo para evitar estalinhos. Se preferir, o Sound Forge corta essas pontas do arquivo automaticamente. Clique em Process, Auto Trim/Crop e escolha o preset <Trim silence from ends>, que ele faz o serviço todo.
Batch Converter. Por falar em fazer o serviço todo, o programa Batch Converter, da Sony, permite realizar todas essas rotinas de processamento e edição dos arquivos automaticamente numa grande quantidade de arquivos de uma vez, segundo um roteiro de plug-ins preestabelecido. Aprenda a usá-lo em . É fantástico! Ele faz toda a edição por você, basta criar um roteiro como o citado acima, a partir de padrões que você mesmo pode criar.
CD Architect. Este é um programa fácil de usar e muito completo, para completar o nosso trabalho. Organiza as músicas no CD com incríveis recursos de edição e processamento não-destrutivos. Conheça-o em . Se preferir, use o Nero ou o Easy CD Creator, mas duvido que prefira. Use CDs de ftalocianina como os prateados (Mitsui, Sony, Philips e muitos outros) de boa procedência. Mídias paraguaias tendem a não tocar em muitos CD players. E, afinal, depois de todo esse trabalho, copiar para uma mídia ruim era só o que faltava!
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br) é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos do Home Studio

Publicado na Revista Backstage em 2004

Perda do Neutro (perigo em rede eletrica)


A eletricidade
tem trazido um avanço muito grande à humanidade. Sem ela, as nossas vidas hoje sofreriam uma grande transformação e um enorme retrocesso. A energia elétrica, comparativamente às outras formas de energia que conhecemos, é de fácil transporte a longas distâncias e de alto rendimento, isto é, com baixas perdas, tanto nas linhas de transmissão, como nas suas várias possibilidades de conversão, como por exemplo, para energia mecânica nos motores. Pensando bem, é sem dúvida a forma de energia que maiores benefícios tem trazido à humanidade, desde a sua descoberta, em 1672, por Otto von Guericke (1602-1686), através dos seus primeiros estudos sistemáticos a respeito das cargas eletrostáticas, com as quais tudo começou.

Porém, nem tudo são rosas! A energia elétrica também trouxe consigo, no seu bojo, várias mazelas, algumas de conseqüências até funestas. Entre elas, podemos citar o curto circuito, cujo arco voltaico, para pessoas próximas, pode causar queimaduras graves ou levar à morte! E então o choque elétrico? Este, a maioria de nós conhece! Normalmente ele traz uma sensação de muito desconforto e, em certas condições, mata a pessoa eletrocutada. Mas, entre as mazelas que a energia elétrica pode acarretar, uma que é pouco conhecida pelo grande público e mesmo por muitos técnicos e engenheiros elétricos é a "perda de neutro".

A "perda de neutro", de forma geral, traz conseqüências não necessariamente prejudiciais ao homem, mas aos equipamentos ligados à rede elétrica. Como existem aparelhos no mercado que não estão apresentando a segurança requerida pela norma, vamos aproveitar este espaço e mostrar a você, caro leitor, em detalhe, o que vem a ser a "perda de neutro" e suas conseqüências desastrosas aos nossos equipamentos.


Em que Condições Poderá Ocorrer a Perda de Neutro?


Em primeiro lugar, o que é a perda de neutro? Quando, por qualquer motivo, a ligação elétrica do neutro for interrompida ou deixar de existir no quadro geral de entrada de energia elétrica de uma residência, ou de um edifício, ou de uma indústria, dizemos que houve uma perda de neutro. Este termo é muito usado, pelos elétricos de modo geral, quando uma ligação elétrica cessa, ou deixa de existir, não havendo mais fornecimento de energia. Da mesma forma, também podemos falar, por exemplo, de perda de fase. Normalmente o que ocorre é uma perda de ligação elétrica involuntária, por motivos diversos. O mais freqüente, no geral, é haver um mau contato, interrompendo e religando a corrente muitas vezes, num espaço de tempo muito curto. Uma ligação mal feita, com o passar do tempo e com a corrosão, também poderá desencadear em uma perda de neutro.

A perda de neutro, em princípio, não traz conseqüência alguma. Isto via de regra acontece e somente significa uma descontinuidade no fornecimento de energia. Porém, em algumas condições, essa perda de neutro se torna bastante indesejada, pois traz conseqüências danosas aos nossos equipamentos. Ela pode mesmo se tornar um desastre e queimar a maioria dos equipamentos de uma residência!

Vamos primeiro definir quais as premissas necessárias e suficientes para que possa haver dano, para em seguida analisarmos o que realmente ocorre. Poderá haver dano:

* quando, para a alimentação de energia elétrica de uma residência, ou de um edifício, ou de uma indústria, tivermos duas (ou mais) fases e o neutro na entrada de energia, e

* quando, depois da alimentação de energia, tivermos equipamentos ligados, uns a uma fase contra o neutro e outros à outra fase contra o neutro, simultaneamente.

Tendo estas duas condições satisfeitas, uma perda de neutro será funesta! Provocará a queima de aparelhos ligados entre uma das fases e o neutro!

Vamos dar alguns exemplos práticos onde estas duas premissas poderão ocorrer. Nas residências aqui em São Paulo, a alimentação elétrica de um estabelecimento é realizada com duas fases e o neutro. Entre as fases há 230V e entre cada fase e o neutro poderá haver 120V, ou até 127V. Se, num dado instante, ocorrer uma perda de neutro, quando as duas fases estiverem sendo usadas simultaneamente, quer dizer, quando os dois 120V estiverem sendo usados (percebam que eles são defasados entre si em 120 graus), os aparelhos que estiverem ligados ao 120V de uma das fases poderão sofrer um grande prejuízo, inclusive com queima.

Vamos supor, por exemplo, que a minha geladeira, em 120V, esteja ligada a uma das fases e o meu CD-player, à outra fase de 120V. No instante de uma perda de neutro, infelizmente, o meu CD-player se queimará "sem dó nem piedade"! Como veremos, o que acontece eletricamente, neste momento, é de fácil explicação técnica.

No nordeste do Brasil, por exemplo, o quadro de entrada de energia normalmente possui apenas uma fase e o neutro em 230V. Neste caso, as duas premissas colocadas acima não estão satisfeitas e uma perda de neutro não trará conseqüência alguma. No entanto, quem pedir para instalar duas fases em sua residência, ou apartamento, também correrá este mesmo risco e perigo relatado acima. Porém... muitos audiófilos solicitam à concessionária a instalação de uma segunda fase, no intuito de melhorar o seu sistema de áudio/vídeo. E, aí, as coisas mudam de figura! Assim, passam a ter duas fases, com uma tensão entre elas igual a 380V (valor normalmente usado na indústria) e, entre cada uma destas fases e o neutro, eles ficam com dois 230V (novamente defasados entre si em 120 graus), para a alimentação dos seus sistemas. Nestas condições, uma perda de neutro poderá ser desastrosa e poderá provocar queima de aparelhos, caso haja equipamentos ligados nos dois 230V simultaneamente. Isto porque, aqui, como vocês podem ver, as nossas duas premissas voltaram a ficar satisfeitas! E não será necessário haver nenhum aparelho ligado à tensão de 380V para ocorrer algum dano.

É por este motivo que as concessionárias de energia não colocam nenhuma chave para o neutro na entrada de energia de qualquer estabelecimento, residência, edifício, industria, ou onde quer que seja. "Com duas fases, o neutro jamais poderá ser interrompido", é o que se costuma dizer normalmente no meio técnico. E não se esqueçam também que o neutro é aterrado pela concessionária já antes da entrada da residência ou do edifício, nos postes, e depois, novamente, na entrada destes estabelecimentos. Isto tudo, para se evitar, de forma eficaz, uma possível perda de neutro. Resumindo, o neutro não deverá ser interrompido sob hipótese alguma, justamente por causa do risco que uma interrupção destas poderá trazer consigo.


A Impedância de um Aparelho Elétrico


Para podermos explicar de forma bem simples o fenômeno elétrico que ocorre logo após uma perda de neutro, é preciso que vocês primeiro compreendam o que vem a ser a "impedância de um aparelho". Para um melhor entendimento do assunto, não será necessário nenhum rigor técnico. Não nos interessará aqui, por exemplo, saber se a "carga", isto é, se o aparelho em análise é indutivo ou capacitivo. Iremos simplesmente determinar a impedância genérica do aparelho.

A impedância nada mais é do que o valor da tensão, ali onde o aparelho está instalado, dividido pelo valor da corrente que o aparelho estiver consumindo, apenas isso. O resultado desta divisão será dado em ohms. Caso você não tenha um amperímetro, para medir a tensão e a corrente alternada de cada aparelho (alerta: muito cuidado ao fazer estas medições com multitesters, para não queimá-los!), você poderá se valer dos valores indicados nas placas de identificação destes aparelhos, onde normalmente estão impressas a tensão e a potência ou corrente usadas.

O cálculo através da potência é de menor precisão, porém absolutamente suficiente para determinar a impedância e dar o entendimento ao assunto. Neste caso, calcula-se a impedância do aparelho em questão, dividindo-se o quadrado da tensão à qual ele está ligado, pela potência indicada na sua placa de identificação. Este resultado também será obtido em ohms.

Vamos dar aqui alguns exemplos. Na minha geladeira, mais antiga, por exemplo, fui ver a placa de dados técnicos e achei:

V = 127V e I = 4,5A

Vejam que, neste caso, não foi indicada a potência, mas sim a corrente alternada de consumo. Evidentemente, na prática, os valores poderão ser um pouco diferentes. Verifiquei, por exemplo, que a tensão aqui em casa não é realmente 127V, mas 115V, o que dá uma corrente um pouco menor, mas isto não é importante para o entendimento do nosso objetivo. Portanto, dividindo 127 por 4,5, obteremos uma impedância para esta geladeira em torno de 28,2 Ohms.

Minha máquina de lavar roupas é 127V e, na placa, está indicado 8A de consumo, resultando numa impedância de 15,9 Ohms.

Meu vídeo cassete é 110V e consome 28W. Colocando a tensão ao quadrado e dividindo-a pela potência, obteremos um valor de 432 Ohms.

Observem que a maioria dos nossos equipamentos de áudio/vídeo possuem altas impedâncias, uma vez que consomem muito pouco, ao contrário de alguns powers e dos aparelhos eletrodomésticos da casa. Os meus powers atuais, por exemplo, são dois monoblocos em classe A, com 200W em repouso. Daí resulta uma impedância de 66 Ohms. Mas reparem que os eletrodomésticos têm valores ainda mais baixos, como é o caso da minha máquina de lavar roupas, com 15,9 Ohms.


O Circuito Elétrico da Perda do Neutro


Agora que vocês já sabem o que é impedância, vamos então montar um circuito para explicar o fenômeno elétrico.

Para simplificar o nosso circuito, vamos apresentar um exemplo forte e contundente, usando apenas uma carga por fase. Numa das fases vamos colocar a minha máquina de lavar roupas e, na outra, o meu aparelho de vídeo. Vamos tomar, para cada um destes aparelhos, aquelas impedâncias que já havíamos calculado acima. Aqui em casa, a minha sala de som, onde está a tomada do vídeo, é contígua à lavanderia, onde está a tomada da máquina de lavar roupas.



Como vocês podem ver, na figura acima, as duas tomadas estão aí representadas: a da esquerda é a da lavanderia, onde a máquina de lavar roupas (MLR) está ligada à fase F1 e a tomada da direita é a da sala de música, onde o vídeo cassete está ligado à fase F2. Aqui na minha residência, a fase F2 chega até à sala de música vindo diretamente da caixa de entrada, que fica junto ao portão (e não do quadro elétrico que está dentro da casa), e o neutro, da mesma forma, também sai de lá. Nesta caixa de entrada, há um ponto de interconexão entre os neutros: o que vai para a máquina de lavar, que está no quadro elétrico da casa, e o que vai para a sala de música. Observem que, para nós, não é relevante o local de onde as fases e os neutros estão vindo, se da caixa de entrada da residência ou do quadro elétrico geral interno de distribuição. Percebam que os neutros poderiam também estar interligados no quadro geral interno da residência.

Imaginem estes dois aparelhos ligados, funcionando, e agora, por algum motivo, talvez falta de manutenção, venha a ocorrer um rápido ou permanente mau contato do neutro e do seu aterramento, mesmo que isto seja por apenas um ínfimo espaço de tempo, digamos, alguns milisegundos. Nestas frações de segundos de falta de contato, os 120V das tomadas do vídeo e da máquina de lavar roupas deixam de existir! Quais as conseqüências disso?



Observem  para que vocês possam compreender o que aconteceu com maior facilidade e clareza. Vejam que a ligação com o neutro já não existe mais. Houve o que nós chamamos de uma perda de neutro. O ponto fundamental, no entanto, é que ambos os aparelhos continuam interligados e eletricamente conectados, não mais aos 120V de cada fase, mas ao 230V existente entre as fases F1 e F2. Portanto, nestes poucos instantes da falha do neutro, o circuito fica ligado em 230V! Para calcularmos a nova corrente que se estabelece, simplesmente precisamos aplicar a Lei de Ohm, pois a nova corrente depende das impedâncias dos dois aparelhos ligados, as quais já havíamos visto anteriormente. Calculando, temos que o valor da corrente, neste exemplo, fica em torno de 0,5 Ampère e, no instante da perda de neutro, as tensões sobre cada aparelho mudam radicalmente! Na máquina de lavar roupas, a tensão de 120V cai para algo em torno de 8V, tensão esta muito baixa para ela, e por isso ela tende a parar de funcionar, mas no vídeo cassete a situação se torna muito complicada! A tensão lá passa de 120V para algo em torno de 222V, o que, infelizmente, o aparelho não consegue suportar, vindo a queimar! Se o sistema de proteção desse aparelho tivesse sido bem calculado pelo fabricante, ocorreria apenas uma queima de fusível. Mas posso lhes garantir que isto é coisa rara! A maioria dos aparelhos costuma sofrer queima interna de diversos componentes, pois poucos possuem uma proteção adequada, bem calculada. Portanto: A perda de neutro causou a queima do vídeo cassete! Esta é uma triste conclusão!


Conclusão


Demos um exemplo bem detalhado, para o melhor entendimento, embora sem dúvida simplificado, pois uma quantidade maior de aparelhos costuma ficar ligada a cada fase no instante de uma perda de neutro. Evidentemente, se as impedâncias dos aparelhos em paralelo, em cada fase, tivessem o mesmo valor, a tensão de 230V do nosso exemplo seria dividida por dois, ou seja, ficaríamos com uma tensão de 115V em cada fase e em cada conjunto de aparelhos e, neste caso, nada aconteceria. Teríamos tirado a sorte grande e tudo ficaria como d'antes! Porém, posso lhes garantir que esta situação é tão rara quanto achar uma agulha num palheiro! Sabemos que as tensões que surgem em cada fase podem variar muito! E, infelizmente, sempre tem ocorrido queima de aparelhos! Isto porque é muito difícil de se conseguir equilibrar as cargas por fase, pois este fator vai depender também do que estiver ligado naquele instante. (Vejam só como é importante o equilíbrio de cargas por fase!). É muito importante que as pessoas se conscientizem deste tipo de risco, principalmente para se prevenirem, pois coisas como essas são passíveis de acontecer.

Um caso destes ocorreu na casa de um amigo nosso, o Walter Fonseca, colega de audições, às quintas feiras, na Sala São Paulo, onde regularmente ouvimos a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Na entrada de sua residência ocorreu uma perda de neutro. O prejuízo foi grande: além da queima da geladeira e do micro-ondas, vários aparelhos de áudio e vídeo se queimaram, inclusive seus Mark Levinson N 33, o projetor Barco e o Sub Woofer, tudo por um mau contato no neutro! Desejamos excelentes audições a todos, sem qualquer risco de perda de neutro!

Mas para isto, caros leitores, estejam em alerta: "Com duas fases, o neutro jamais poderá ser interrompido!"

veja mais AQUI

Equipamentos de Filtragem de energia.

Introdução


Aqui neste espaço trataremos de trazer alguns esclarecimentos a respeito da confusão generalizada que está existindo aí pela mercado sobre os equipamentos de filtragem da energia elétrica da rede. Existem tantas designações de aparelhos na praça que o grande público, e inclusive o pessoal do ramo, não consegue mais discernir um aparelho do outro. Por exemplo: o que é um filtro de linha? O que é um estabilizador de tensão? O que é um condicionador de energia? Todos eles têm a mesma função? Quais de fato são as funções de cada um? Há diferenças entre eles? O que vocês acham? O que tenho visto é que se está misturando alhos com bugalhos e a confusão tem sido geral e total! Temos que separar o joio do trigo e isto me proponho a fazer neste artigo.

Vamos começar dando as principais denominações dos aparelhos que existem no mercado:

  1. Filtros de linha,
  2. Estabilizadores de tensão,
  3. Transformadores,
  4. Condicionadores de energia,
  5. Geradores de AC e
  6. No Breaks (UPS)


Em princípio, estes são os seis tipos de aparelhos básicos que, ligados à rede elétrica, prometem trazer vantagens auditivas e de proteção ao nosso equipamento de som. As marcas existentes no mercado para cada um destes tipos são inúmeras. Neste artigo pretendo dar elementos que lhes permitam discernir quais são os mais adequados para nós. Vamos fazer uma lista das funções que os aparelhos de filtragem de energia elétrica devem possuir para a nossa aplicação específica, que é a reprodução de som e imagem em nossas salas.

É importante lembrar que nossos equipamentos de áudio e vídeo representam cargas elétricas para os aparelhos de filtragem acima enumerados. Como nossos equipamentos, na grande maioria, possuem transformadores na entrada da energia elétrica, representam, portanto, cargas elétricas indutivas para estes aparelhos de filtragem.


As Funções dos Aparelhos de Filtragem


As principais funções que eles precisam atender são:

  1. Eliminação dos harmônicos da rede,
  2. Correção do fator de potência da rede e do equipamento,
  3. Eliminação de transitórios e de "spikes",
  4. Proteção total contra raios e anomalias da energia elétrica e
  5. Proteção contra sobretensões e subtensões.


Estas são as cinco características principais que precisamos nos aparelhos de filtragem para uma boa reprodução do som. As duas primeiras funções são de filtragem do AC, enquanto que as outras três são de proteção de equipamentos. Alguns aparelhos podem apresentar outras propriedades além destas, mas se você encontrar um que apresente estes cinco pré-requisitos principais atendidos, valerá a pena ouvi-lo no seu sistema. Comparando alguns aparelhos entre si, você poderá escolher o melhor em termos de qualidade sonora e preço. A escolha deverá recair sobre aquele que for mais neutro. Vamos então analisar estes cinco itens para ajudá-lo a perceber se estarão sendo atendidos ou não no aparelho de filtragem que você for investigar.

A principal função dos aparelhos de filtragem para o áudio e vídeo é sem dúvida a eliminação de todos os harmônicos da rede (uma tarefa para Hércules!), isto porque os harmônicos são extremamente prejudiciais, tanto os harmônicos de corrente, mas principalmente os harmônicos de tensão. Na música, eles tendem a "chapar" o som, dando-nos a impressão de que todos os instrumentos estão tocando num mesmo plano sonoro. Em outras palavras, os harmônicos não permitem a criação do palco sonoro. Mas quando a energia elétrica é filtrada, retirando os harmônicos da rede, o palco sonoro (se as caixas acústicas estiverem afastadas das paredes) aumenta consideravelmente. Perceberemos a melhoria deste efeito positivo nos vários parâmetros do palco sonoro: localização espacial, profundidade, altura, recorte, focagem, respiro, ambiência, diferentes planos sonoros e outros. Se no seu som não existir nenhum palco sonoro, ou seja, se o som sair das caixas acústicas, tocando em um mesmo plano, a retirada de parte dos harmônicos da rede já permitirá criar um pouco de palco sonoro (mas o resto dependerá muito mais da acústica da sua sala e já não tanto do seu equipamento). Se, ao testar os aparelhos de filtragem da energia elétrica, você não perceber diferença no palco sonoro, de duas uma: ou os aparelhos de filtragem que você escolheu não atendem este requisito, o que é possível, ou existe algum equipamento no seu sistema que se apresenta como um elo mais fraco, para a reprodução do som, do que a energia elétrica que você recebe na sua casa.

Portanto, aqui já se tem um ponto de teste: os aparelhos de filtragem devem criar ou aumentar o palco sonoro! Este ponto é o mais importante da filtragem do AC.

Outra forma de interferência dos harmônicos se observa em relação aos equipamentos de imagem. Quando se retira os harmônicos da rede, há uma nítida melhora da imagem. A tela fica mais limpa, de forma que o contorno dos personagens, por exemplo, fica mais definido.

Um aspecto interessante, pouco conhecido e de importância suprema, é que os harmônicos elevam a temperatura de funcionamento de todos os equipamentos eletrônicos, incluindo aí os do sistema de áudio e vídeo. Na cidade de São Paulo, em alguns bairros, a retirada dos harmônicos da rede, já reduz em alguns graus Celsius a temperatura dos aparelhos! Em várias outras cidades, coisas semelhantes também já têm ocorrido. Este problema está se agravando no Brasil inteiro, devido à falta de uma legislação sobre os limites máximos de harmônicos que, principalmente por parte das indústrias, estão sendo injetados na rede pública de energia!

Infelizmente o que se vê hoje é que a grande maioria dos equipamentos de filtragem à venda na praça não consegue retirar harmônicos da rede. Bem ao contrário, muitos conseguem injetar ainda mais harmônicos, face à topologia eletrônica de que se utilizam! Temos sorte que isto é perceptível nos sistemas de nível de áudio/vídeo, tanto no som quanto na imagem! Podemos assim tomar providências para não deixar que os nossos aparelhos venham a esquentar excessivamente.


O segundo parâmetro de avaliação é a questão da correção do fator de potência. Nós já vimos em artigos anteriores o que vem a ser o fator de potência. Relembrando rapidamente aqui, refere-se ao atraso da corrente elétrica em relação à tensão, que ocorre devido as cargas, principalmente ao grande uso de motores, de forma que a rede se torna fortemente indutiva. Inclusive o nosso amplificador de potência, devido aos seus transformadores, aumenta o fator de potência da rede, isto é, ele aumenta ainda mais o atraso da corrente em relação à tensão. Uma defasagem muito alta entre a corrente e a tensão, ou seja, um fator de potência muito diferente de 1 (um) do nosso sistema, afeta a dinâmica de reprodução do som.

Existem experiências auditivas comprovadas, com uma base teórica correlata, mostrando que o nosso sistema toca muito melhor quando a rede elétrica é levemente capacitiva, ou seja, quando se faz uma correção do fator de potência. A melhora é percebida principalmente pela maior dinâmica do sistema, como também por uma maior transparência dos agudos. Porém, atente para o aparelho que você estiver analisando e verifique se ele possui uma correção do fator de potência pois a maioria dos aparelhos de filtragem existentes no mercado não possui esta correção. A grande parte dos entusiastas do áudio e vídeo desconhecem ainda as conseqüências benéficas da correção do fator de potência na reprodução sonora.


A partir do terceiro parâmetro, que se refere a eliminação de transitórios e "spikes" da rede, entramos na análise das proteções necessárias para o seu equipamento. Este terceiro item é o mais anunciado pelo marketing dos aparelhos de filtragem. A maioria dos produtos à venda no mercado prometem atender a este requisito, porém existe um senão. O resultado sonoro depende da topologia que foi utilizada no circuito elétrico para realizar esta função. Por que? Porque conforme a topologia, consegue-se eliminar os transitórios e os "spikes", mas pode-se acrescentar fortes harmônicos na rede, na região dos agudos, que serão audíveis na nossa reprodução. Devemos com certeza evitar estes produtos, que resolvem um problema mas criam um outro muito pior. E normalmente a proteção anunciada não atendem situações mais severas, de forma que poderão ocorrer danos aos nossos aparelhos.

No artigo intitulado "Os Harmônicos da Energia Elétrica no Áudio", mostra todas as principais topologias atualmente empregadas para a filtragem da rede através dos filtros eletrônicos. Por motivo de espaço aqui, não vou voltar a este assunto. O que é importante relembrar é que existem dois tipos básicos de filtros: os filtros com componentes em série e os com componentes em paralelo.


Pois bem, existem estudos que mostram que todos os filtros em série retiram harmônicos sim, mas introduzem outros, em outra região do espectro de audição, portanto estão resolvendo um problema para criar um outro, muito audível! A única vantagem deles é que são mais baratos. Por outro lado, os filtros em paralelo retiram harmônicos também e, quando bem construídos, não introduzem outros, de forma que podem ser muito neutros. Mas são mais caros. Como identificá-los na prática? Se, ao escutar o aparelho em questão, os agudos ficarem mais presentes e "ardidos" ou metálicos, então este aparelho está usando filtros em série. Normalmente os agudos devem ficar mais transparentes, como se fossem ao vivo. Infelizmente, muitos aparelhos de filtragem utilizam circuitos eletrônicos em série para reduzir custos e criam com isto, no som, um agudo com características metálicas. É aquele tipo de agudo que lhe dará, em pouco tempo, fadiga auditiva. Portanto, ao analisar um produto verifique bem como está a reprodução dos agudos.


O quarto parâmetro refere-se à total proteção contra raios e anomalias da rede elétrica. Os raios são fortes descargas elétricas na atmosfera, que induzem na tensão da rede grandes transientes (picos de altas tensões), podendo chegar a algumas centenas ou até milhares de volts. Como os raios são fenômenos da natureza, sobre os quais não temos ação, é muito difícil projetar um circuito de proteção que segure todos os tipos de raios possíveis. Muitos aparelhos de filtragem da rede são destruídos quando atingidos por raios e, muitas vezes, permitem que componentes do nosso sistema também sejam destruídos. Infelizmente, aqui não existe um teste antecipado, ou seja, não destrutivo, para você saber se o aparelho em questão atenderá o requisito. Porém, há uma forma de se reduzir o risco. Existem algumas topologias eletrônicas nas quais o fabricante faz com que, quando o raio for muito forte, o aparelho queime o seu próprio fusível de proteção, separando assim o nosso sistema da rede elétrica e, também, não se autodestruindo. Verifique então, no manual do aparelho ou com o revendedor, qual a forma de proteção que ele oferece para este caso.


O quinto parâmetro (e último) é quanto à proteção de sobretensões e subtensões. Existem regiões no Brasil onde as variações de tensão realmente são grandes, indo além das tolerâncias máximas permitidas. Isto ainda é um resquício das antigas concessionárias estatais, que não adotavam proteções eficientes para evitar flutuações das tensões elétricas da rede. Hoje, com a privatização das concessionárias, este problema está diminuindo. Porém, como no exterior, nos países de primeiro mundo, a existência deste problema é inconcebível, a grande maioria dos aparelhos importados não possui proteção alguma para este aspecto. Portanto controlar os limites da tensão da rede elétrica é fundamental, e muito melhor, como veremos, do que estabilizar a tensão, que acarreta outros novos problemas.


Os Aparelhos de Filtragem


Vamos começar pelo primeiro aparelho que mencionamos na nossa lista: os filtros de linha. Nome hoje muito vulgar no mercado, inclusive considerado por muitos o aparelho de filtragem. Existem basicamente dois tipos deles na praça: o filtro de linha com um formato de uma régua de tomadas, muito usado com computadores, e o filtro de linha com tomadas de uso específico.

Os filtros de linha, na verdade, têm apenas funções de proteção de equipamentos (e não de filtragem de AC, como diz o nome) e comumente só possuem a terceira função que definimos antes, ou seja, a eliminação de transitórios e de "spikes" (na região de 100K a 300KHz). Infelizmente, de forma geral, esta proteção é insuficiente para variações mais fortes da tensão elétrica podendo atingir seus equipamentos e danificá-los. São aparelhos menores e mais leves. Mas precisam ser escutados atentamente, pois alguns podem metalizar os agudos. Por que? Porque alguns desses aparelhos se utilizam de filtros eletroeletrônicos em série (bobinas e indutores) e com isto injetam harmônicos na rede, na região de 3K a 12KHz e aumentando em demasia a impedância da rede elétrica! E o que acontece? Como em seguida não há nada mais que filtre os novos harmônicos injetados, você os ouve saindo das suas caixas acústicas! Eles passam pelas fontes de alimentação dos aparelhos do seu sistema e... vão parar nas suas caixas! Seu som fica metálico! Portanto, analise bem estes filtros no seu sistema . Uma extensão simples normalmente é melhor do que um filtro de linha!

Existem várias histórias no áudio sobre filtros de linha. Uma delas muito recente ocorreu no Nordeste, em Maceió. Um amigo meu, engenheiro acústico, foi fazer uma medição em uma sala de audição. Ligado ao sistema de áudio havia um filtro de linha com tomadas específicas. Inclusive um filtro de linha importado, de uma renomada marca americana. Este engenheiro acústico intercalou seu computador ao sistema de som, para iniciar as medições acústicas, mas viu que o micro não estava funcionando corretamente. Vai para lá, vem para cá, e nada de descobrir a razão do mau funcionamento. Até que teve a idéia de retirar o filtro de linha e de substituí-lo por um outro aparelho de filtragem, foi só aí que o seu micro voltou a funcionar normalmente! O que aconteceu? Ou este renomado filtro de linha importado não estava retirando os harmônicos da rede, ou estava gerando novos harmônicos, ou talvez, o que é mais provável ainda, não estava fazendo nenhuma das duas coisas!! Os harmônicos podem perturbar aparelhos eletrônicos sofisticados, como por exemplo os lap tops. Muitos audiófilos, meus caros amigos, utilizam filtros de linha como régua de tomadas. Que sacrilégio! Não sabem o que estão fazendo! Alguns ainda reclamam dos agudos, mas não sabem o porquê deles estarem assim! Como vocês vêem, é uma confusão generalizada! Tem até revista de áudio recomendando filtro de linha! Parece que não testaram nenhum deles!


Antes de tratar agora dos estabilizadores de tensão, vamos tratar dos transformadores, isto porque os estabilizadores se utiliza de transformadores. Os transformadores, além de transformar os níveis de tensão, como já vimos, também tem propriedades de filtragem, porém, ao contrário do que o mercado acredita, não possuem nenhuma propriedade de proteção, sejam os transformadores isoladores, como os autotransformadores. Eles conseguem retirar harmônicos da rede apenas a partir de uns 8KHz. Porém, quando o conectamos ao sistema de áudio, surge uma mudança sonora que pode de início ser até apreciável, pois a primeira impressão que temos é que o som fica mais agradável: mais limpo na parte das altas freqüências e com maior corpo harmônico e, na parte do médio baixo, surge um volume sonoro maior. Porém, um amigo nosso de João Pessoa, define esta mudança como "um som mais duro". Este resultado pode variar de sistema para sistema. Mas, à medida que os dias vão passando, vamos percebendo que os discos de alguma forma ficaram com uma característica tonal muito semelhante entre si e isso, com o passar do tempo, vai cansando e a gente chega a um ponto nevrálgico, de não conseguir mais escutar. Por que? Todos os transformadores, e principalmente os isoladores, são circuitos elétricos em série e, portanto, introduzem harmônicos. Neste caso, em baixas freqüências, em torno de 100 a 500Hz. Aquilo que num primeiro momento parece ser muito agradável, com o tempo, traz fadiga auditiva. O nosso amigo de João Pessoa, como tinha que usar um transformador, colocou um aparelho de filtragem que realmente retira os harmônicos da rede e aí resolveu o problema, pois o seu sistema voltou a ter aquele equilíbrio tonal necessário e indispensável.


Pois bem, todos os estabilizadores de tensão utilizam-se de transformadores e, portanto, sofrem dos mesmos problemas. Na verdade, como muitos modelos se utilizam de tapes (derivações no secundário), o volume de harmônicos é maior ainda. Existem outros que trabalham com o assim chamado núcleo saturado, estes então são ainda piores. Os estabilizadores de tensão são, sem dúvida, os aparelhos de filtragem que mais harmônicos injetam na rede e não deveriam ser utilizados em nenhum sistema de áudio/vídeo. Mas então, o que fazer? Como não existe uma solução eletrônica para se estabilizar a tensão, que não seja através de componentes em série com a própria rede, e que conseqüentemente gerarão harmônicos, temos que procurar uma outra alternativa. Uma delas é a de se ter um circuito que controle os valores máximos e mínimos da tensão e que venha a desligar o sistema se necessário. Por isso colocamos, como quinta função dos aparelhos de filtragem, não a estabilização da tensão, mas sim a proteção de nosso sistema contra sobretensões e subtensões.

Os estabilizadores de tensão, estabilizam de forma continua a tensão da rede elétrica. Porém quanto mais rápida for a variação da rede, menor é, de forma geral, a estabilização da tensão, chegando ao ponto, quando houver uma uma variação muito brusca, como um pico, ou um transiente, ou mesmo um raio, por exemplo, este passará pelo estabilizador com pouca atenuação e, atingirá seus equipamentos podendo destruí-los. Portanto o estabilizador, assim como o transformador, não são sinônimos de proteção como muitos acreditam!!


E aqui entramos na análise dos condicionadores de energia. Alguns destes aparelhos podem atender às cinco funções que listamos. São equipamentos que, de modo geral, nos oferecem a filtragem do AC e a proteção dos nossos equipamentos. Muitos utilizam-se de circuitos em paralelo, existindo várias topologias. Estes tipos de filtros podem ser muito potentes, permitindo uma drástica redução dos harmônicos, principalmente daqueles de baixas freqüências, que são os mais difíceis de serem retirados e que trazem maior coloração para o nosso som. Os condicionadores de energia podem reduzir os harmônicos, com um resultado sonoro muito neutro. Como são filtros específicos para uma dada tensão da rede, não permitem bivoltagem. O que acontece também é que, para atender as três últimas funções de proteção indicadas, de maneira correta, o condicionador deve ser destinado a apenas uma tensão da rede. Portanto, evitem os aparelhos que são de bivoltagem, pois não poderão atender a todas as funções necessárias. Os condicionadores de energia podem ser muito pesados e, quanto maiores e mais pesados forem, maior será o poder de filtragem dos harmônicos. Algumas marcas de condicionadores de energia possuem modelos com tomadas de uso específico. Estes aparelhos precisam ser escutados atentamente para se verificar se, em alguma tomada, filtros em série estejam sendo usados, criando com isso colorações, que são harmônicos nas altas ou nas baixas freqüências. Isto porque algumas marcas procuram com, este artifício, baratear o equipamento. Tentam apresentar isto como um aspecto de marketing que, à primeira vista, parece positivo, porém, no dia a dia, descobrimos que isso engessa o manuseio do aparelho.

Alguns condicionadores de energia, apresentam uma característica que é muito interessante aqui para o Brasil. Como vocês sabem, de vez em quando a energia elétrica cai e, quando retorna, pode voltar no primeiro instante com uma tensão mais alta, eventualmente queimando algum aparelho. Estes condicionadores possuem um dispositivo interno que, na queda da tensão da rede, se desligam automaticamente e não religam quando a energia retorna, de forma a proteger todo o nosso sistema. Eles religam apenas manualmente. É uma característica muito importante e já salvou muitos sistemas por aí.


O penúltimo aparelho de filtragem a ser analisado é o gerador de AC. Este aparelho transforma a energia alternada da rede em energia contínua, para então gerar uma nova energia alternada. Este processo reduz bastante os harmônicos da rede, porém como são aparelhos com componentes em série, geram novos harmônicos. Existem algumas marcas porém que conseguem significativas reduções nos níveis de harmônicos. Este processo contudo não permite a correção do fator de potência do nosso equipamento, que é a segunda função que colocamos. Quanto aos outros itens de proteção, eles normalmente não os possuem incorporados, sendo necessário se verificar cada modelo. Dentre todos os aparelhos de filtragem, são os mais caros, quando se analisa o custo por KW de potência disponível que eles podem fornecer ao nosso sistema.

Como estes aparelhos geram uma nova rede, algumas marcas permitem uma pequena variação da freqüência da nova rede elétrica, normalmente acima da freqüência nominal. Isto traz algumas vantagens sonoras, pois com uma freqüência de rede maior, os filtros internos dos aparelhos retiram melhor os harmônicos da rede. Porém, muito cuidado! Alguns conversores digitais/analógicos como também toca-discos usam a freqüência da rede elétrica como referência interna e, nesses casos, estes aparelhos poderão apresentar mau funcionamento.


Acrescento aqui também os tão comentados no breaks. Ele está muito falado no mercado e muitos estão usando este aparelho sem ter realmente idéia de como ele funciona. Em poucas palavras é um aparelho também que gera uma nova onda senoidal à partir de uma bateria. Porém a onda gerada, na maioria destes aparelhos, é uma onda quadrada e não uma onda senoidal, como deveria ser, com filtros agregados para reduzir um pouco os harmônicos. Mesmo os aparelhos que dizem gerar uma onda senoidal, ela não é pura e tem um conteúdo harmônico muito alto, chega até a ser proibitivo seu uso. De todos os aparelhos comentados estes apresentam o maior conteúdo harmônico. Não é relevante se os no breaks são de simples ou de dupla conversão, mas sim se a distorção harmônica total (THD %) em tensão à plena carga é menor digamos do que 1% (um porcento). Os aparelhos que atendem a esta condição são muito caros e não os recomendo para nossos sistemas de áudio/vídeo, principalmente quando geram a onda em PWM. Os únicos no breaks que poderíamos eventualmente considerar são aqueles que geram diretamente uma onda senoidal, com baixa distorção, em cima de um transformador, com todas as desvantagens que isto ainda traz consigo, como vimos nos outros itens.


Conclusão


Espero que os conceitos apresentados tragam maior discernimento para uma eventual escolha e compra de um aparelho de filtragem. Toda a nossa análise foi dirigida para o áudio e vídeo, não valendo para outros tipos de sistemas, como por exemplo para computadores. Nossa análise foi específica.

Importante frisar que todas as percepções auditivas descritas só serão percebidas se o seu sistema de áudio/vídeo for de bom nível. Caso contrário, o elo mais fraco na reprodução não será a energia elétrica, mas sim o seu equipamento, de forma que, colocado qualquer aparelho de filtragem no seu sistema, você não perceberá nenhuma das diferenças descritas. Mas, à medida que o seu sistema for melhorando, aí então sim, valerá a pena você investir em um aparelho de filtragem. Dentre todos os aparelhos de filtragem que nós analisamos, quatro deles deverão ser evitados:

  • Em primeiro lugar, os no breaks. Este aparelho, via de regra, acrescenta mais harmônicos do que retira da rede elétrica.
  • Em segundo lugar, os estabilizadores de tensão. Este aparelho traz mais malefícios do que benefícios ao seu sistema.
  • Nesta mesma categoria entram também os transformadores, se não for absolutamente necessário, e principalmente os transformadores de núcleos saturados.
  • O quarto aparelho a ser evitado são os filtros de linha, pela razões expostas acima. Se você deseja atingir o topo "high-end" do áudio, não utilize estes aparelhos. Não vale a pena!


Os outros componentes você deverá submeter a uma apurada audição. Entre os outros dois aparelhos, condicionadores de energia e geradores de energia, são os condicionadores de energia que possuem a melhor relação custo/benefício e são tecnicamente mais corretos, quando todos os componentes estão em paralelo com a rede elétrica.

Escolha os maiores e mais pesados. Escolha também um aparelho de filtragem que possa atender a toda demanda de potência necessária do seu sistema, com folga, pois não tem sentido você deixar de ligar algum aparelho, ou deixar de fazer alguma melhoria no seu sistema por falta de potência disponível, e também não ter proteção para estes aparelhos.

Esperamos ter-lhes dado uma visão geral e abrangente sobre os aparelhos de filtragem para o áudio e o vídeo. Apresentamos as principais funções dos diversos tipos existentes no mercado, com as características auditivas correspondentes, de forma a facilitar-lhes uma possível aquisição. Desejo a vocês todos uma boa audição, com um bom aparelho de filtragem!

Gravação de audio no pc parte ll

1- Você não decidiu nada ?

Existem várias formas de optar por um equipamento. A primeira é o orçamento. Se não for possível comprar o equipamento que você precisa com o orçamento que dispõe, escolha por um mais barato, mas tome cuidado, às vezes é melhor não comprar nada à comprar algo que não serve para nada. Resolvido o problema do orçamento, decida exatamente para que vai ser utilizado o equipamento.

Você deve saber de antemão se vai trabalhar conjugado à outros equipamentos (DAT, ADAT, Minidisk, Mesas Digitais), quantas pistas deve gravar e reproduzir simultaneamente, se os efeitos serão colocados dentro ou fora do computador, qualidade do áudio, qualidade dos drivers, etc. Decida sobre o conjunto de fatores e equipamentos disponíveis no mercado, procure ater-se ao conjunto e não apenas à um único equipamento. Nunca se esqueça de investigar qual é a configuração de computador recomendada (não a mínima, mas a ideal) para o que quer fazer.

No caso de DATs, ADATs, Minidisks e outros equipamentos com entrada e/ou saída digital, é aconselhável uma placa de áudio também com entrada e saída digital. Existem alguns protocolos digitais diferentes ( S/PDIF coaxial, S/PDIF óptico, AES/EBU, ADAT litepipe) e incompatíveis entre si . Nem todos os produtos trabalham com todos os protocolos. Verifique sempre se o protocolo digital do seu equipamento e da placa de áudio são iguais.

Se você precisa de mais de 2 entradas ou saídas de áudio, também precisa verificar quais placas e software aceitam esta função. No caso de mixagens externas ou adição de efeitos através de processadores externos isto pode ser indispensável.

O número de pistas para playback pode ser limitado pelo software ou placa, e ainda pelo seu computador. Verifique quantas pistas simultâneas de playback precisa. A qualidade do áudio é responsabilidade da placa, o software normalmente não tem nada a ver com isso. Em se utilizando entradas ou saídas digitais, a qualidade do áudio fica por conta do aparelho conversor analógico digital (DAT, ADAT, Minidisc, etc.).

Os "Drivers" são programinhas que controlam a placa. Juntamente com o hardware, são cruciais para o desempenho do sistema como um todo. Normalmente sistemas dedicados (Pro Tools) e placas com software especialmente desenvolvidos para elas (AudioWerk, Audiomedia) são mais rápidos e mais estáveis. Os software podem ser escolhidos por funcionarem melhor com esta ou aquela placa ou por possuírem características melhores para este ou aquele trabalho. Analise o "conjunto" antes de escolher. Agora que já escolheu um software ou placa, vamos adiante...

2- Você já tem ou já decidiu por determinado(s) software(s)?

Esta talvez seja a melhor opção, decidir primeiro pelo software que atende melhor as suas necessidades para depois verificar como serão seus complementos. Basta saber se o seu micro tem a "configuração recomendada" para este software e escolher a placa mais adequada para ele. Note que a configuração recomendada não é a configuração mínima, que normalmente vem descrita na caixa do produto. Em geral esse mínimo não permite utilizar toda a capacidade do software, por isso, é bom perguntar ao suporte técnico qual a configuração recomendada, para evitar frustrações.

A escolha da placa em função do software é fácil. Em geral os software têm um suporte melhor para este ou aquele hardware. Alguns exemplos são:

Logic Áudio Gold ou Platinum c/:

1º - Audiowerk8, que são do mesmo fabricante (EMAGIC), assim sendo há um interesse da própria Emagic de que eles trabalhem perfeitamente juntos. Obs.: essa placa não tem MIDI, portanto é preciso levar em consideração a compra de uma segunda placa para o MIDI.

2º - Audiomedia III. O Logic Áudio é o melhor produto áudio/MIDI para a Audiomedia III.

Obs.: essa placa não tem MIDI, portanto é preciso levar em consideração a compra de uma segunda placa para o MIDI.

3º - Placas MME (Fortíssimo, Maxi Studio ISIS). Esta opção deve ser considerada para um sistema mais barato, mas não é o mais recomendado, pois o desempenho é muito inferior aos anteriores.

4º - Outras: Considere também, de acordo com suas necessidades de MIDI e entradas e saídas, as placas da série DELTA (Midiman) e as placas Gina, Darla e Layla (Echo), além da Wavecenter/PCI e Dakota (Frontier)

Cakewalk Pro Áudio 9.0 c/:

1º - Placas MME (Fortíssimo, Maxi Studio ISIS). O Cakewalk é o melhor produto quando se trata de economizar. Ele consegue trabalhar num nível muito aceitável com placas MME, além disso pode tirar proveito de uma placa como a ISIS que possui 8 entradas e 4 saídas.

2º - Audiomedia III, o suporte do Cakewalk para a Audiomedia não permitia full duplex. Isto até o lançamento do driver Wavedriver versão 1.3 da Digidesign (para Windows 95 e 98), que permitiu utilizar a Audiomedia III como uma placa MME. Já está disponível no site da Digidesign (www.digidesign.com) esse driver e também o Wavedriver 1.5 (somente para Windows 98) Obs.: Essa placa não tem MIDI, portanto é preciso levar em consideração a compra de uma segunda placa para MIDI.

3º - Outras: Considere também, de acordo com suas necessidades de MIDI e entradas e saídas, as placas da série DELTA (Midiman) e as placas Gina, Darla e Layla (Echo), além da Wavecenter/PCI e Dakota (Frontier)

Sound Forge c/:

Este é um software de uma pista (mono ou estéreo) por vez, e não exige muito da placa de áudio ou do micro. Funciona bem com qualquer placa que tenha driver MME, mesmo que não sejam dos melhores.

1º - Placas MME ( Fortíssimo, Maxi Studio ISIS, Midiman Delta 44 ou Delta 66).

Logic Áudio + Sound Forge c/:

1° DELTA série ou Gina, Darla ou Layla (Echo)

Samplitude + Sound Forge + Cakewalk c/:

1º - DELTA série ou Gina, Darla, Layla (Echo).

2º - Placas MME ( Fortíssimo, Maxi Studio ISIS) funcionam bem com todos os software.

3- Você já tem ou já decidiu por determinada(s) placa(s)?

Não existem muitas diferenças entre esta e a opção anterior. Na verdade, basta inverter o caminho.

1º - Placas MME (Fortíssimo, Maxi Studio ISIS, Delta 44, Delta 66, Delta 1010). Placas indicadas para rodar com quase todos os software do mercado. São as mais compatíveis com produtos como: Cakewalk, Samplitude, Sound Forge, etc. Obs.: no caso de placas com mais de uma entrada ou saída (EWS, ARC44, Wave Center) deve ser escolhido um software que permita usá-las (Cakewalk Pro Áudio, Samplitude).

2º - Audiowerk8, se você optou por esta placa, só podem haver duas razões. Ou quer trabalhar com o Logic Áudio, ou precisa de 8 saídas de áudio, mixando "na mesa".

3º - Audiomedia III, trabalha bem e tem excelente qualidade de áudio, porém tendo apenas duas entradas e saídas, é preferida apenas para masterização.

O que é o Pro Tools ?

O Pro Tools é um software para Macintosh ou PC. Dependendo do hardware (placas/interfaces) a capacidade do sistema Pro Tools pode ser ampliado de acordo com suas necessidades. Do mais simples ao mais avançado sistema, o Pro Tools tem sido utilizado por anos, tanto por home-studios como pelos maiores estúdios musicais e de cinema do Brasil e de todo o mundo.


Atualmente existem várias opções para configuração de um sistema Pro Tools, com as versões Pro Tools 5.1 e Pro Tools LE 5.1 (uma versão mais simples): Para o software Pro Tools existem 4 opções de interfaces de áudio, descritas ao final deste texto.

Tool Box: Software Pro Tools LE e placa de áudio Audiomedia III. Possui 2 entradas e saídas analógicas e 2 entradas e saídas digitais (S/Pdif coaxial). Permite a gravação de até 24 pistas de áudio, possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo novo sistema RTAS (Real Time Audio Suite). A Audiomedia III não possui conexões MIDI, portanto é necessário usar uma placa ou interface que realize a função de gravação e reprodução dos dados MIDI. Disponível na versão Macintosh e Windows 98 SE ou Windows ME.

Digi 001: Software Pro Tools LE e interface de áudio externa Digi 001 (24-bit) com 8 entradas e saídas analógicas (2 delas com pré-amplificação e phantom power), 8 entradas e saídas digitais no formato ADAT e mais 2 entradas e saídas digitais (S/Pdif coaxial ou óptico). Saída de monitor e saída de fone de ouvido com volume individual no painel frontal. Possui ainda entrada e saída MIDI, permitindo a conexão de teclados controladores, módulos de som ou superfícies de controle (como a Motormix) Permite a gravação/reprodução de até 24 pistas de áudio. possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo novo sistema RTAS (Real Time Audio Suite). Disponível na versão Macintosh e Windows 98 SE ou Windows ME.

Pro Tools 24: Software Pro Tools e várias opções entre interfaces de áudio. O sistema é composto de software e duas placas, a D24 (responsável pela conexão à interface) e a DSP Farm (responsável pelo processamento dos plug-ins em tempo real). O sistema pode possuir várias configurações e permite o uso de várias placas DSP Farm, para aumento da capacidade de processamento em tempo real. Permite a gravação/reprodução de 32 pistas de áudio em 16 ou 24-bit (expansível até 64 pistas), possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo sistema TDM. Disponível na versão Macintosh e Windows NT.

Pro Tools 24 Mix: Software Pro Tools e várias opções entre interfaces de áudio. O sistema é composto de software e uma placa, chamada Mix Core (responsável pela conexão à interface e pelo processamento dos plug-ins em tempo real, com capacidade 3 vezes superior às DSP Farms). O sistema pode possuir várias configurações. Permite a gravação/reprodução de 32 pistas de áudio em 16 ou 24-bit (expansível até 64 pistas), possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo sistema TDM. Disponível na versão Macintosh e Windows NT.

Pro Tools 24 Mix Plus: Software Pro Tools e várias opções entre interfaces de áudio. O sistema é composto de software e duas placas, a Mix Core (responsável pela conexão à interface e pelo processamento dos plug-ins em tempo real) e a Mix Farm (4 vezes o processamento da DSP Farm). O sistema pode possuir várias configurações. Permite a gravação/reprodução de 32 pistas de áudio em 16 ou 24-bit (expansível até 64 pistas), possui recursos básicos de MIDI e plug-ins em tempo real pelo sistema TDM. Disponível na versão Macintosh e Windows NT.

As linhas de Pro Tools TDM (PT 24, Mix e Mix Plus) não possuem conexões MIDI. Para utilizar esta função é necessário o uso de placa ou interface MIDI.

Interfaces para o software Pro Tools:

• 882/20 – Interface de áudio com 8 entradas e 8 saídas analógicas mais 2 entradas e saídas S/Pdif coaxial. Conversores A/D e D/A de 20-bit. Conexões P-10 balanceadas ou não-balanceadas.

• 888/24 – Interface de áudio com 8 entradas e 8 saídas analógicas mais 8 entradas e 8 saídas digitais AES/EBU. Conversores A/D e D/A de 24-bit. Conexões XLR.

• 1622 – Interface de áudio com 16 entradas e 2 saídas analógicas P-10 balanceadas ou não-balanceadas, 2 entradas e saídas digitais S/Pdif coaxiais. Conversores A/D e D/A de 20-bit.

• ADAT Bridge/24Interface de áudio com 16 entradas e 16 saídas de áudio digitais no formato ADAT, mais 2 entradas e saídas S/Pdif coaxiais. Gravação e reprodução em 24-bit. A Adat Bridge na verdade trabalha como duas interfaces em uma só, sendo necessário um cabo “Y” e um cabo extra para funcionamento dos 16 canais simultaneamente.

Acessórios para o sistema Pro Tools:

• Motormix – mesa de automação com 8 canais.

• Pro Control – Mesa de automação que permite total controle de superfície do seu sistema Pro Tools. Com 8 canais de automação de todos os parâmetros do Pro Tools.

• Fader Pack – Console para a mesa Pro Control que permite adição de mais 8 canais de controle. A Pro Control permite o uso de até cinco Fader Packs adicionais, com um total de 48 canais de automação.

• Edit Pack – Console para a mesa Pro Control complementando o sistema com maiores funções (entre elas, teclado e trackball USB independentes e joysticks para controle de efeitos “surround”).

• HUI – Interface da Mackie, para controle MIDI das automações do Pro Tools.

• Control 24 – Último lançamento da Digidesign incorpora em um único equipamento uma mesa de som de 24 canais (com 16 pré-amplificadores Focusrite) e superfície de automação para os Sistemas Pro Tools Mix e Pro Tools Mix Plus.

Plug-ins para o sistema Pro Tools:

• Digi Rack:

• Digidesign plug-ins: D-fi, D-Fx, D-verb, Focusrite D2/D3, Maxim, DINR,

• Development Partners: Mais de uma centena de fabricantes se associam a Digidesign para desenvolvimento de Plug-ins e outros acessórios. Visite a página da Digidesign (www.digidesign.com) para maiores informações.

Novidades na versão 5.1:

Dentre as maiores mudanças na nova versão do software Pro Tools estão a implementação de gravação e mixagem em Surround, maior nível de “undos” (16) e auto-save definido pelo usuário, possibilidade de abertura/criação de pistas estéreo (e surround em vários formatos), implementação de event list em MIDI. A versão TDM do Pro Tools 5.1 permitirá ainda o uso de plug-ins em RTAS, utilizando o processador da própria máquina, liberando maior espaço dentro das placas de DSP.

O que é mixagem ?

Confunde-se um pouco o conceito entre mixagem e masterização. Seria difícil traçar um divisor entre essas duas operações, mas vamos tentar de modo simples e objetivo explicar o sentido e a finalidade de cada uma dessas rotinas que são feitas no dia-a-dia, do músico amador ao técnico dos grandes estúdios profissionais.
Mixagem é o ato de após a gravação, “dosar” os instrumentos, timbres, vozes enquanto ainda estão em pistas separadas de gravação. Nessa fase o músico e o técnico procuram o melhor balanço para obter o resultado que esperam daquela gravação. Aumentar um volume, ajustar o panorâmico, ajeitar o reverb de uma caixa, equalizar uma guitarra, adicionar efeitos ou corrigir pequenos problemas da voz são feitos nesta fase. Isso é importante pois neste ponto as pistas ainda estão separadas, o que permite estas alterações individuais. Depois de finalizada a mixagem é feito o “bouncing” que significa juntar todas as pistas numa só (na verdade em duas pois falamos de um trabalho em estéreo; uma pista para o lado esquerdo, outra para o lado direito).

O que é masterização ?

A masterização envolve o mesmo princípio da mixagem: Obter o melhor resultado. Porém agora a música é um todo, não está mais separada em pistas, trilhas diferentes. Nela você define a melhor equalização, verifica se há necessidade de maximizar o ganho, utilizar um compressor, reduzir ruídos, e ainda adiciona alguns efeitos que atuariam na música toda (por exemplo, um pequeno reverb). A masterização é importante pois seu resultado é o que será ouvido. Na verdade masterizar é “esquentar o som” para que ele fique o mais perfeito possível, em termos de qualidade sonora e fidelidade.

O que são pistas simultâneas de playback ?

É o número máximo de pistas que um software consegue reproduzir ao mesmo tempo. Este limite pode ser previamente dado pelo software, pelo conjunto software e placa de áudio ou conforme a configuração de seu computador. Alguns softwares reproduzem apenas 16 pistas de áudio, outros softwares gravam “infinitas” pistas de áudio mas a sua placa só permite a reprodução de 24 canais simultaneamente. Em alguns casos o software e a placa permitem “infinitas” pistas de áudio, porém pode ter certeza.... Mais cedo ou mais tarde seu micro vai travar, pois não agüentou tamanho processamento.

Placa de áudio grava MIDI ?

Não. As placas que possuem apenas funções de áudio trabalham apenas com áudio. Porém é possível gravar a execução MIDI do seu teclado ou módulo para a placa de som, utilizando as saídas de áudio do seu teclado.

Como gravar arquivos MIDI em um CD de áudio?

Primeiro ponto é ter em vista de que o MIDI na verdade não é um áudio, e sim dados que informam certo dispositivo (placa, teclado ou módulo) que geram o som ouvido (para mais esclarecimentos consulte a seção DICAS MIDI). Então é necessário gravar este MIDI em áudio em um programa que possua esta função. O Sound Forge grava este áudio e automaticamente salva em wav que é o formato no qual o CD será gravado. Outros softwares como o Cakewalk, Logic Audio ou Vegas gravam em áudio, mas esses arquivos nem sempre são em wav mas sim em formatos específicos de cada programa. Neste caso é necessário antes fazer uma conversão exportando o arquivo para o formato wav.
Ao gravar mais de duas pistas de áudio é preciso antes de tudo fazer uma operação chamada “bouncing” (também utiliza-se expressões como “bounce to disk”, “Mixdown Audio”, “Export to Wave File” e outras) que salva todas as pistas em um só arquivo wav.

Como gravar MIDI e áudio em um notebook ?

O MIDI do notebook é conectado na saída para impressora (paralela) identicamente ao computador desktop. Pode-se utilizar interfaces como a Portman, Ou as da Mark of The Unicorn (MOTU). Já o áudio é uma grande complicação. Geralmente os áudios do notebook não oferecem qualidade satisfatória para gravação ou reprodução. Então faz-se necessário a utilização de uma placa de áudio com melhor qualidade. Mas onde instalar uma placa em um notebook? Bem, existe uma solução chamada DOC STATION que é um tipo de uma “caixa” que pode ser conectada a notebooks que tenham suporte para este tipo de equipamento. Nessa “caixa” existem slots para instalação de placas. Porém é uma solução bem cara e pouco utilizada.
Os modelos mais recentes de notebook contam com conexões USB e Firewire, que permitem a ligação de periféricos e Hds externos para gravação. Atualmente o mercado possui uma grande linha de produtos MIDI USB. A tendência atual do mercado, com o desenvolvimento deste protocolo USB (Universal Serial Bus) fez com que os fabricantes desenvolvessem interfaces de áudio também para este sistema. Assim hoje ficou muito mais fácil gravar e reproduzir áudio e MIDI em um notebook. Já é possível montar-se um estúdio profissional portátil, utilizando um Powerbook Mac, chassi de expansão Magma, DIGI 001 com Pro Tools e HD Firewire.

Quantas pistas de áudio um software pode rodar simultaneamente ?

Na teoria muitas. Na prática se aplica o mesmo conceito dos plug-ins e outras funções, sendo que na gravação e reprodução a peça mais importante da máquina é seu HD. HDs dedicados especialmente a áudio apresentam resultados melhores. Se forem SCSI obterão um resultado ainda melhor. Uma boa máquina deve rodar 16 a 20 pistas de áudio sem maiores dificuldades. E não se esqueça de que certos softwares ou placas possuem um número limitado de pistas já pré-determinado. Para conhecer as particularidades da configuração de um computador para áudio, visite a seção “Dicas – Computadores”.

Qual software é indicado para restauração de áudio de discos de vinil ou fitas?

Indicamos o Sound Forge atuando juntamente com seu plug-in Noise Reduction para plataforma PC e o Ray Gun da Arboretum, para plataforma Mac. Ambos constituem uma ótima opção para restauração de áudio.

Qual é a placa de áudio ideal para se trabalhar com mesas digitais ?

Estas mesas possuem entradas e saídas digitais e analógicas. Se você preferir utilizar as saídas digitais o ideal é utilizar placas que possuam o mesmo formato. As mais conhecidas e utilizadas são as mesas com entradas e saídas no formato ADAT, e para isso existem diversos sistemas ou placas no mercado. Atualmente o ideal é utilizar uma DIGI 001 da Digidesign, a MOTU 2408 da Mark of The Unicorn ou a Wavecenter/PCI ou a Dakota, ambas da empresa Frontier.

O que significa áudio em 16, 20, ou 24-bit ? E 44.1, 48 ou 96 kHz ?

Normalmente existe uma grande preocupação com a resolução (número de bits) do áudio digital de uma placa ou sistema de gravação. Porém muita confusão é feita nesse caso. A melhora da qualidade de áudio se deve a uma série de fatores e não somente à resolução. Ela deve ser considerada como mais um dos fatores determinantes na compra de um produto. Existem placas profissionais gravando em 16 bit e placas totalmente amadoras gravando em 20-bit. Isso não indica qualidade final de áudio. O mais importante é considerar também a qualidade dos conversores de áudio ou a relação de sinal/ruído. Ah, e não confunda o número de bits da conversão analógica para digital (ou vice-versa) com o número de bits de processamento interno da placa (processamento de efeitos, por exemplo).

Por que as funções em tempo real nos software de áudio são limitadas ?

Na verdade o limite está no computador utilizado. Tudo que roda em tempo real (Plug-ins e automações) necessitam de bastante capacidade de processamento. Caso contrário o software poderá “travar” a máquina. É importante sempre saber dosar o limite da máquina de acordo com suas necessidades e ter em vista de que quanto mais poderosa a máquina maior seu resultado.

O que são entradas e saídas de áudio digital ? E quais são os padrões de áudio digital ?

São conexões que permitem a transferência de áudio bit a bit sem perdas. Desta forma um áudio transferido digitalmente não perde nenhuma de suas características originais. Atualmente existem muitas placas e interfaces de áudio que possuem entradas e saídas digitais. Estas placas e interfaces comunicam-se digitalmente com outras placas ou equipamentos que possuam as mesmas saídas e entradas digitais como ADATs, DATs, Mini-discs, mesas digitais e outros. Cada um destes equipamentos possuem um ou mais padrões de transferência. Vamos falar um pouco sobre eles:
- AES/EBU: foi desenvolvido pela AES (Audio Engineering Society) juntamente com a EBU (European Broadcasting Union). Este formato utiliza conectores do tipo XLR (Canon) e pode ser usado cabos de até 100 metros. Este formato é considerado um dos mais profissionais do mercado.
- S/PDIF (Sony/Philips Digital Interface Format) foi derivado do AES/EBU. Utiliza cabos coaxiais de até 10 metros com conectores RCA ou em formato óptico com conexão TosLink e cabos ópticos. Praticamente todas as placas e interfaces do mercado usam este protocolo devido a maior simplicidade e custo menor.
- ADAT LitePipe (Alesis): Formato ótico de transferência digital capaz de transmitir por apenas um cabo ótico até 8 canais de áudio. Apesar de utilizar a mesma conexão do S/PDIF ótico são formatos totalmente diferentes. Algumas placas e interfaces fazem uso da mesma conexão, porém com opção de escolha entre os protocolos via software. O tamanho máximo permitido ao cabo é de 10 metros, e encontra-se no mercado cabos de 1, 2 e 5 metros.